O texto de Ítalo Calvino começa por apresentar um personagem que na
tradição platônica constrói modelos ideais, dotados de uma lógica perfeita,
onde a realidade deve se adequar, se adaptar, corresponder ainda que de forma
incompleta ao modelo abstratamente constituído. No entanto, a complexidade da
realidade acaba por inviabilizar este método, uma vez que frente aos aspectos caleidoscópicos
dos diversos contextos concretos que se depara o personagem, a unicidade de um modelo
referencial acaba por mostrar-se tanto impossível de ser alcançado quanto não
funcional frente aos acontecimentos cotidianos que o cercam.
Extrapolando a metáfora apresentada no texto para a lógica do AEE, é
possível perceber as semelhanças com a lógica que ainda impera em muitas
escolas onde o arquétipo do aluno ideal ainda é buscado e idealizado frente às
complexidades e multifacetas do aluno concreto em geral e particularmente no
caso dos alunos com deficiências.
Neste sentido, é evidente a percepção de que diante das idiossincrasias
dos alunos com deficiência, a busca de construir modelos referenciais unívocos
acaba por se tornar infrutífera para atender as demandas destes. Sendo assim,
frente a heterogeneidade de uma educação efetivamente inclusiva, a busca de
padrões estáticos não possibilita compreender a fluidez e dinamicidade das
necessidades e potencialidades dos alunos.
Concluindo, antes de procurar categorizar de forma rígida, cabe ao
educador que busca uma educação inclusiva, experienciar as diversas possibilidades
de cada indivíduo a partir de sua concretude contextual e relacional.
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