domingo, 29 de junho de 2014

Atividade: Blog - “O modelo dos modelos”

O texto de Ítalo Calvino começa por apresentar um personagem que na tradição platônica constrói modelos ideais, dotados de uma lógica perfeita, onde a realidade deve se adequar, se adaptar, corresponder ainda que de forma incompleta ao modelo abstratamente constituído. No entanto, a complexidade da realidade acaba por inviabilizar este método, uma vez que frente aos aspectos caleidoscópicos dos diversos contextos concretos que se depara o personagem, a unicidade de um modelo referencial acaba por mostrar-se tanto impossível de ser alcançado quanto não funcional frente aos acontecimentos cotidianos que o cercam.
Extrapolando a metáfora apresentada no texto para a lógica do AEE, é possível perceber as semelhanças com a lógica que ainda impera em muitas escolas onde o arquétipo do aluno ideal ainda é buscado e idealizado frente às complexidades e multifacetas do aluno concreto em geral e particularmente no caso dos alunos com deficiências.
Neste sentido, é evidente a percepção de que diante das idiossincrasias dos alunos com deficiência, a busca de construir modelos referenciais unívocos acaba por se tornar infrutífera para atender as demandas destes. Sendo assim, frente a heterogeneidade de uma educação efetivamente inclusiva, a busca de padrões estáticos não possibilita compreender a fluidez e dinamicidade das necessidades e potencialidades dos alunos.

Concluindo, antes de procurar categorizar de forma rígida, cabe ao educador que busca uma educação inclusiva, experienciar as diversas possibilidades de cada indivíduo a partir de sua concretude contextual e relacional.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Jogos de Tabuleiro como recurso pedagógico para alunos com TEA

Um dos objetivos contínuos a serem buscados pelos professores ao trabalharem com aluno que possuam TEA é criar estratégias de ensino e aprendizagem que possibilitem aos mesmos interagirem com os demais alunos de sua turma, buscando formas inclusivas de desenvolver os conteúdos planejados.
No âmbito das ciências sócio-históricas, uma das tarefas dos professores atualmente é desenvolver o aprendizado de temáticas ligadas à história e cultura africana e afro-brasileira. Os alunos com TEA tem os mesmos direitos de qualquer outro aluno de serem contemplados com estes conhecimentos. A atividade proposta nesta postagem, tem como principal objetivo apresentar, partilhar e sistematizar alguns dos principais valores civilizatórios afro-brasileiros, através de uma dinâmica que particularmente pode trazer benefícios adicionais para os alunos TEA.

1.   Título da atividade: Jogos Africanos: conhecendo outras culturas, desconstruindo preconceitos
2.   Público: alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, tanto com TEA quanto os demais
3.  Justificativa: Entre suas variadas utilidades, os jogos sempre viabilizaram o aprendizado. Também serviram para transmitir as conquistas da sociedade em diversos campos do conhecimento. Quando os membros mais velhos de um grupo revelam aos jovens como funciona um determinado jogo de tabuleiro, por exemplo, eles transmitem uma série de conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural daquele grupo.
4.   Local de utilização: sala de aula
5.   Representação visual do recurso utilizado:







6.   Fazer uma descrição da atividade:
1ª fase: apresentação dos jogos aos educandos
Esta primeira etapa é o momento em que se deve despertar a curiosidade dos educandos para os jogos. São apresentados características culturais dos jogos, o mapa da África e a localização dos países em que são populares.
2ª fase: explicação sobre as regras dos jogos
Como todo jogo de estratégias, só se aprende jogando. O educador então orienta cada grupo acerca dos movimentos e regras dos jogos.
3ª fase: patrimônio cultural africano e desconstrução de estereótipos
Apresentação dos valores civilizatórios africanos que estão presentes na cultura brasileira.
4ª fase: produção de materiais acerca dos jogos/culturas estudadas
Divididos em grupos os alunos irão produzir cartazes, textos, imagens, etc, sobre os temas
5ª fase: divulgação dos trabalhos
Os alunos irão organizar oficinas para a comunidade escolar a fim de divulgar os jogos e as culturas africanas de onde são oriundos.


7.   Indicar quais intervenções o professor do AEE poderá realizar para efetivar o desenvolvimento do aluno, com a atividade que você selecionou:
Jogos de tabuleiro são excelentes para crianças autistas porque possibilitam muitas oportunidades de aprendizado. As crianças aprendem a esperar, estabelecer turnos no diálogo, e referenciar outros. Também ajuda como lição para contagem numérica, cores e sequência lógica, além de ajudar no brincar. O professor do AEE pode atuar diretamente junto ao aluno quando o mesmo estiver inserido em sua turma regular a fim de auxiliar o mesmo nas interações sociais necessárias para sua participação nos jogos, na sistematização dos conhecimentos e na produção de materiais relativos a atividade.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Atividade 2 - Blog - Surdocegueira e DMU

O senso comum tende a incluir a surdocegueira como uma das deficiências múltiplas. No entanto, é importante salientar que a surdocegueira apresenta especificidades que não a inclui como uma deficiência múltipla, apresentando desta forma características e particularidades próprias.
No caso da surdocegueira, estão inclusos aqueles indivíduos que apresentam perdas auditivas e visuais de forma conjunta, podendo apresentar graus diversos de perda, bem como de resíduos em ambos os sentidos. Em casos de surdocegueira, também é importante levar em consideração se o caso é congênito ou adquirido, afinal de contas, a ocorrência da surdocegueira quando já se dispõe de um esquema de comunicação adquirido difere em muito dos casos onde o indivíduo já nasce com estas limitações.
Os casos de deficiência múltipla incluem todos onde estejam combinadas duas ou mais deficiências. Desta forma ocorre a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.
Ao se comparar a surdocegueira e as deficiências múltiplas, uma das principais diferenças diz respeito a forma como se dá a comunicação e apropriação de informações/conhecimentos do mundo. No caso da surdocegueira, é necessário uma mediação para que o indivíduo possa receber, interpretar e conhecer o mundo que lhe cerca, utilizando prioritariamente os canais sensoriais preservados, e os resíduos de visão e audição quando existentes. No caso das deficiências múltiplas, pelo menos um dos sentidos, audição ou visão, ainda estão preservados, e constituem-se como principal referência para o estabelecimento de relações com o mundo e com outras pessoas.
O ser humano constitui-se na e através da comunicação. Dessa forma, é fundamental garantir aos indivíduos com surdocegueira ou deficiências múltiplas canais de comunicação que lhes garantam meios de progressivamente expressar seus interesses, bem como se apropriar de informações e conhecimentos que lhes proporcione continuamente um crescimento e desenvolvimento de acordo com suas potencialidades.
Desta forma, deve-se levar em consideração as idiossincrasias de cada indivíduo, suas necessidades, mas principalmente suas potencialidades. Algumas das estratégias iniciais envolvem o estabelecimento de rotinas organizacionais que, por um lado promovam paulatinamente a autonomia do indivíduo, e por outro proporcionem a criação de vínculos comunicacionais.


BIBLIOGRAFIA:

BOSCO, Ismênia Carolina Mota Gomes; MESQUITA, Sandra Regina Stanziani Higino; MAIA, Shirley Rodrigues. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência múltipla - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.

IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010.

MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.


domingo, 9 de março de 2014

Atividade 3: Elaboração de um texto para o blog

O texto apresenta uma perspectiva que procura superar a visão dicotômica simplista e conflitante entre gestualistas e oralistas. Nesta perspectiva é apresentada uma visão holística da pessoa com surdez onde sua identidade não pode ser definida e construída a partir desta única característica, e deve sim contemplar uma “pessoa com surdez como ser biopsicosocial, cognitivo, cultural, não somente na constituição de sua subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção de conhecimentos” (UFC-MEC, 2010, p. 48) .
Uma das principais idéias do texto é de que a simples aquisição da língua de sinais não é uma garantia de desenvolvimento cognitivo e aprendizagens significativas. Sendo assim, é necessário garantir às pessoas com surdez ambientes educacionais capazes de estimular e promover o desenvolvimento de suas habilidades de forma complexa. Partindo desta lógica, o cotidiano escolar para a pessoa com surdez deve propiciar um ambiente de aprendizado onde o conhecimento seja concebido a partir de uma visão rizomática, ou seja, complexo, relacional, dialógico e vivencial.
A fim de garantir o direito à aprendizagem que a pessoa com surdez tem é que é estruturado o AEE em uma abordagem que contemple todas as instâncias necessárias de acordo com as idiossincrasias de cada indivíduo. Por este motivo é que o AEE prevê “três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa escrita; e o atendimento educacional especializado para o ensino de Libras.” (UFC-MEC, 2010, p. 58).
O AEE para a pessoa com surdez envolve momentos distintos, com objetivos diferenciados e metodologias que também devem ser adequadas aos avanços esperados. A garantia do aprendizado do português escrito deve ser uma constante do AEE já que o domínio desta língua oportunizará a ampliação significativa dos canais de comunicação do aluno. Por outro lado, o aprendizado constante e progressivo de Libras garante o respeito as especificidades do aluno com surdez e contempla também seu desenvolvimento cognitivo.


Bibliografia:

 - Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.