O senso comum tende a
incluir a surdocegueira como uma das deficiências múltiplas. No entanto, é
importante salientar que a surdocegueira apresenta especificidades que não a
inclui como uma deficiência múltipla, apresentando desta forma características
e particularidades próprias.
No caso da
surdocegueira, estão inclusos aqueles indivíduos que apresentam perdas
auditivas e visuais de forma conjunta, podendo apresentar graus diversos de perda,
bem como de resíduos em ambos os sentidos. Em casos de surdocegueira, também é
importante levar em consideração se o caso é congênito ou adquirido, afinal de
contas, a ocorrência da surdocegueira quando já se dispõe de um esquema de
comunicação adquirido difere em muito dos casos onde o indivíduo já nasce com
estas limitações.
Os casos de deficiência
múltipla incluem todos onde estejam combinadas duas ou mais deficiências. Desta
forma ocorre a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências
primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que
acarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade
adaptativa.
Ao se comparar a
surdocegueira e as deficiências múltiplas, uma das principais diferenças diz
respeito a forma como se dá a comunicação e apropriação de
informações/conhecimentos do mundo. No caso da surdocegueira, é necessário uma
mediação para que o indivíduo possa receber, interpretar e conhecer o mundo que
lhe cerca, utilizando prioritariamente os canais sensoriais preservados, e os
resíduos de visão e audição quando existentes. No caso das deficiências
múltiplas, pelo menos um dos sentidos, audição ou visão, ainda estão
preservados, e constituem-se como principal referência para o estabelecimento
de relações com o mundo e com outras pessoas.
O ser humano
constitui-se na e através da comunicação. Dessa forma, é fundamental garantir
aos indivíduos com surdocegueira ou deficiências múltiplas canais de
comunicação que lhes garantam meios de progressivamente expressar seus
interesses, bem como se apropriar de informações e conhecimentos que lhes
proporcione continuamente um crescimento e desenvolvimento de acordo com suas
potencialidades.
Desta forma, deve-se
levar em consideração as idiossincrasias de cada indivíduo, suas necessidades,
mas principalmente suas potencialidades. Algumas das estratégias iniciais
envolvem o estabelecimento de rotinas organizacionais que, por um lado promovam
paulatinamente a autonomia do indivíduo, e por outro proporcionem a criação de
vínculos comunicacionais.
BIBLIOGRAFIA:
BOSCO, Ismênia Carolina Mota Gomes;
MESQUITA, Sandra Regina Stanziani Higino; MAIA, Shirley Rodrigues. A Educação
Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência
múltipla - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial;
Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.
IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila
sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010.
MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos
Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo,
2011.
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